Os Jogos Olímpicos de 2021 revelaram-se, do ponto de vista da natação, uma deceção. Segundo o diretor técnico André Cats, o “objetivo perfeitamente realista” de conquistar três medalhas na natação ainda seria alcançável através das provas de águas abertas, mais adiante nesta semana.
Com isto, a Federação Real Holandesa de Natação está, na minha opinião, a mascarar a política falhada que tem seguido nos últimos anos. Como surgem cada vez mais sinais de que “ainda” não estão a despontar grandes nomes, torna-se evidente que a visão de futuro traçada há anos simplesmente não funciona.
A KNZB, um dos membros da direção do Nederlandse Raad Zwemveiligheid (entidade que reivindica ter a exclusividade sobre os diplomas de natação), enveredou há alguns anos pelo caminho comercial no que toca às aulas de natação. Um mercado onde não tem nada a fazer. Mas argumentava-se que essa seria a melhor forma de aprender a nadar com competência.
O nome: “Superspetters”; o objetivo: obter o diploma ABC num só diploma, em apenas 10 meses. Graças ao enorme capital de subsídios injetado no projeto, criou-se a ideia de que esta seria “a” melhor maneira de aprender rapidamente a nadar bem. A ênfase recai sobre o crawl e o dorso. E acontece que esses são precisamente dois dos estilos de competição mais importantes.
Na minha opinião, a KNZB ultrapassou os limites ao direcionar a sua atenção para o ensino da natação, fazendo dos estilos de competição a base do diploma de natação. Na grande campanha de marketing da altura, foram convocados grandes nomes de nadadores de topo filiados na KNZB. De repente, eram esses os “especialistas” em aulas de natação.
Enquanto proprietário, entre outras coisas, de uma escola de natação própria, especializada em pequenos grupos com muita atenção individualizada, vemos regularmente crianças a chegar para o diploma C já com o diploma Superspetters no bolso. Afinal, os dez meses não eram assim tão ideais para a segurança aquática.
Durante a missão de retomar as aulas de natação, choquei várias vezes com as grandes federações, entre elas a KNZB, que colocavam os interesses financeiros — nomeadamente os subsídios e o regime SPUK IJZ para o património imobiliário municipal — acima do interesse das próprias aulas de natação. Como as grandes empresas comerciais que exploram o imobiliário municipal têm assento nas direções de organismos como o Watervrij e o WIZZ, a independência fica tudo menos assegurada.
A KNZB tem de voltar a dedicar-se à segurança aquática a nível nacional, ao apoio dos clubes que devem alimentar o desporto de alto rendimento, a preocupar-se com o futuro da natação nos Países Baixos, à formação profissional de instrutores de natação — colocando aí a sua verdadeira competência — e a ser uma federação para todas as modalidades aquáticas que os Países Baixos têm para oferecer.
Ponham fim a essas parcerias comerciais que só enchem os cofres e que servem para aparecer e fazer parte do círculo, e tornem-se verdadeiramente úteis. Se for esse o foco, com dirigentes que têm o desporto da natação no coração, o desporto de competição estará, no futuro, em melhores mãos.
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