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O Instituto Mulier semeia confusão com números tendenciosos sobre segurança aquática

Por Shiva de Winter · 15 de janeiro de 2025

Originalmente publicado no LinkedIn em 15 de janeiro de 2025 · por Shiva de Winter, De WaterExpert.

O Mulier Instituut publicou hoje um relatório que afirma que o número de neerlandeses que nadam regularmente caiu de 70% em 2019 para 54% em 2024. Além disso, o relatório contém a afirmação controversa de que apenas 14% dos entrevistados consideram o diploma de natação C necessário para a segurança aquática, enquanto a Norma Nacional de Segurança Aquática (Nationale Norm Zwemveiligheid, NNZ) estabelece esse diploma como requisito. Embora os números pareçam alarmantes à primeira vista, este estudo levanta mais perguntas do que oferece respostas.

1. Foco unilateral na Norma Nacional de Segurança Aquática

O Mulier Instituut baseia a sua posição na NNZ, uma norma diretamente orientada pelo Nationale Raad Zwemveiligheid (NRZ), um fornecedor comercial de diplomas de natação. Isto suscita a questão de quão independente é o estudo, uma vez que outros fornecedores de diplomas, como a Nederlandse Stichting Water- & Zwemveiligheid (NSWZ), a ENVOZ, a EasySwim e a Zon, não são incluídos no debate. Teria sido adequado que o instituto adotasse uma perspetiva mais ampla que fizesse justiça à diversidade de metodologias de ensino da natação e de fornecedores de diplomas nos Países Baixos.

2. Representação deficiente dos entrevistados

O estudo baseia-se numa amostra de 1.506 neerlandeses com 16 anos ou mais. No entanto, dados demográficos cruciais como etnia, nível de escolaridade, composição familiar e distribuição geográfica não são mencionados. Estes fatores são de grande importância para interpretar corretamente as tendências no comportamento de natação e na segurança aquática. Sabe-se, por exemplo, que famílias com rendimentos mais baixos ou com origem migrante têm menos acesso a aulas de natação, o que pode distorcer a imagem geral da capacidade de nadar.

3. As aulas de natação como despesa

O relatório afirma que os pais são os principais responsáveis por garantir que os filhos obtenham diplomas de natação, mas ignora a realidade financeira de muitas famílias. As aulas de natação são caras, e a obrigatoriedade de um diploma de natação C pode representar um obstáculo adicional. O Mulier Instituut parece dar pouca atenção a esta barreira económica, que explica em parte por que muitos pais se contentam com o diploma A ou B.

4. As aulas de natação devem ser divertidas, não apenas uma obrigação

Outro ponto que o relatório ignora por completo é a qualidade e a atratividade das aulas de natação. Se as aulas forem dadas de forma exclusivamente protocolar e rígida, sem ter em conta o prazer e a motivação da criança, não é de estranhar que os pais desistam mais depressa. A segurança aquática não tem de significar exigências rígidas de diplomas; pelo contrário, deveria ser desafiante e inspiradora para que as crianças queiram continuar a aprender.

5. Alarme desnecessário às vésperas de debates parlamentares

O momento da publicação — pouco antes de debates parlamentares agendados sobre segurança aquática — dá a impressão de que este relatório pretende antes exercer pressão política do que oferecer investigação objetiva. A NSWZ salienta que publicações deste tipo podem contribuir para um alarme desnecessário entre pais e fornecedores de aulas de natação. A falta de nuance e o foco unilateral na NNZ prejudicam a confiança no vasto leque de ensino da natação nos Países Baixos.

Conclusão

O Mulier Instituut perde uma oportunidade importante de oferecer uma visão real sobre os fatores complexos que envolvem o comportamento de natação e a segurança aquática. Em vez de enfatizar unilateralmente a Norma Nacional de Segurança Aquática e elevar o diploma C a norma, o instituto beneficiaria de uma perspetiva mais ampla que incluísse todos os fornecedores de ensino da natação. Além disso, é preciso dar mais atenção à acessibilidade, ao custo e à qualidade das aulas de natação. Só assim se poderá fazer justiça às verdadeiras necessidades das crianças, dos pais e dos fornecedores nos Países Baixos.

Referência ao artigo publicado pelo Mulier Instituut:

https://www.mulierinstituut.nl/nieuws/minder-nederlanders-gaan-wel-eens-zwemmen/

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